Não coloquei a tag grátis porque o jogo em si não é e eu sinto que você precisa do jogo inteiro pra jogar. PORÉM, as regras básicas estão disponíveis no site bonitinho pra quem quiser fuçar.

Resuminho




Não resuminho

Blades in the Dark é sobre ser um gangster com mais problemas do que soluções em uma cidade murada, rodeada por campos inóspitos cheios de fantasmas, e dominada por cultos, gangues, policiais corruptos, e criaturas demoníacas. É sobre ser parte de uma história complexa de diversos povos e etnias que acabaram se instalando em Doskvol e agora sofrem com desigualdade intensa, abuso de poder e a ameaça de que nem a morte vai te livrar das suas dívidas. É absurdamente edgy e é muito maneiro pra algumas pessoas, mas eu não sou uma delas. Eu não vou dizer que eu acho ruim o mundo de Blades, mas o jogo me conquistou muito mais nas mecânicas então é a elas que eu quero dar destaque aqui.

Eu diria que é um jogo bastante complexo e com muitos procedimentos e regras, mas que em geral essas mecânicas não ficam no caminho da ficção porque não é um jogo que tenta ser “maximalista”. Isso significa que as regras não estão lá pra cobrir e simular o máximo de situações com minúcia e verossimilhança, mas sim criar uma experiência de “jogo” que cria decisões interessantes tanto mecânicas quanto narrativas. Quando você vai fazer uma rolagem e sai da ficção pra olhar pras regras de Posição e Efeito da ação, você não consegue aplicá-las sem debater na ficção. A Posição é literalmente pensar “o que pode dar errado aqui e como isso prejudica a situação” enquanto o Efeito é “se o jogador conseguir fazer o que quer, quão certo isso dá e como que o mundo reage” e uma vez que você coloca isso na mesa, o jogador que vai tentar alterar isso tanto com as habilidades do personagem quanto com a descrição do que ele pode fazer diferente.

Não só isso, Blades é bastante claro em como ele quer ser jogado, escrevendo regras, princípios e dicas pra mestra e pras jogadoras. Eu não diria que é o livro mais bem organizado do mundo, mas o layout é super limpo e o conteúdo oferece uma porrada de exemplos pra ações semelhantes com resultados diferentes, fichas de referência bem construídas, exemplos de jogo, frases de chamada pros princípios mais importantes e por aí vai. O problema disso é que cai na armadilha de todos os rpgs com mais do que uma página de regras: ele espera que a comunidade de jogadores de rpg tenha superado o terrível hábito de não ler as regras do jogo.

Esse foi, de longe, meu maior problema com Blades in the Dark: eu não ligo muito pro setting, ergo eu preciso das regras pra ser divertido. Quando eu comecei a jogar (e obviamente não tinha lido as regras), não estava achando a coisa mais legal do mundo. A partir do momento em que eu comecei a ler livros de rpg por diversão, eu vi a ficha de Blades cair e encaixar perfeitamente no que faz um rpg ser tão legal pra mim - e também logo em seguida percebi que eu não me divertia tanto sabendo que outros jogadores não estavam interagindo tanto com as mecânicas quanto eles poderiam. É um sentimento bizarríssimo de backseat driver (jogando e mestrando) que é mais culpa minha do que do jogo… Mas não deixa de ser culpa do jogo por ter muitas regras, ou pelo menos é o que eu falo pra mim mesmo.

Então é, Blades in the Dark… Jogo espetacular, recomendo pra qualquer um nem que seja só pra folhear e talvez descobrir alguma mecânica particularmente útil e/ou divertida. Não vejo uma thread falando de mecânicas favoritas de rpgs sem alguém falar dos Relógios ou de como a pessoa integrou Flashbacks no jogo dela. Com certeza tem suas falhas, entre elas as regras bastante densas e o setting meio edgy demais, mas é um dos rpgs que me fez perceber que o hobby era muito mais interessante do que eu achava que era.




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